A juventude da Nigéria se revoltou contra a brutalidade da odiada unidade pelo Esquadrão Especial Antirroubo (SARS, na sigla em inglês). Nem as concessões nem o chicote da reação fizeram com que o movimento #EndSARS recuasse; pelo contrário, apenas lhe deu mais força. Esta manifestação espontânea de raiva deve ser colocada sobre uma base política organizada, voltada diretamente contra o apodrecido regime capitalista.

Um terremoto político atingiu a Nova Zelândia na noite das eleições gerais, com o Partido Trabalhista (Labour Party) garantindo um segundo mandato com maioria absoluta. Esta é a primeira vez, desde que o sistema de votação MMP [Mixed Member Proportional System – votação de cada eleitor por um candidato e por um partido – NDT] foi introduzido em 1996, que um partido político obteve tal maioria.

Em 18 de outubro de 2019 abriu-se uma nova etapa no Chile pós-ditadura. O Outubro Vermelho chileno foi antecipado por massivas manifestações estudantis em 2006 e 2011, reivindicando a demanda concreta por uma educação pública e gratuita, mas que já acumulavam em seu seio frustração e descontentamento muito mais amplos. Os protestos iniciados no final do ano passado refletem o colapso de um sistema capitalista extremo, imposto a sangue e fogo durante a ditadura de Pinochet e mantido com base em fraudes, corrupção e repressão durante os 30 anos que se seguiram à queda do regime. O slogan “Até que valha a pena viver”, resume a profundidade da mudança que as massas exigem e sua determinação de lutar até consegui-la. Essa irredutível vontade do povo chileno não pôde ser abatida nem com a mais brutal repressão imposta pelos Carabineros e pelas Forças Armadas, que deixaram atrás de si um rastro sangrento de mortos, mutilados e torturados e só cedeu temporariamente diante do imprevisto aparecimento da Covid-19.